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P R A I A D E A T A L A I A - S E R G I P E - B R A S I L
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Capítulo XIV - O proibido e o televisivo nos anos 1970
Restou-me a impressão de que o miolo da década de 1970 foi um tempo de certa bifurcação na cena musical. A música ouvida nas fitas K-7 do meu irmão Luciano, e que me havia tocado o gosto, não era a mesma que aparecia nos meios de comunicação de massa. Os revolucionários compositores revelados nos festivais dos anos 1960 davam de cara com a censura oficial e sofriam repulsa moral conservadora. Com o passar do tempo, certamente por conta das ocupações rotineiras que se vão modi
Antonio Passos de Souza
há 3 dias2 min de leitura


Capítulo XIII - Aparições de Gonzagão
Tanto no litoral quanto no interior sergipanos — generalização que faço com base em Ribeirópolis e Aracaju — o inverno era um bálsamo musical. Com a proximidade dos festejos juninos parecia que o mundo todo lá fora se desligava e nos deixava esquecidos, para cairmos de maduro nos braços do São João. Sim, São João ainda hoje é o nome mais usado para abarcar toda a festança. Contudo, como se sabe, além do famosão, são mais dois os festejados em junho: Santo Antônio e São Pedro.
Antonio Passos de Souza
15 de out.2 min de leitura


Capítulo XII - Ecos de uma primeira revolução musical
Às canções trazidas pelo meu irmão eu só tinha acesso na presença dele, que andava com um gravador portátil a tiracolo, no qual colocava para tocar as fitas K-7. Na sequência do Menestrel do Brasil vieram Chico Buarque, Nara Leão, João Gilberto, Vinícius e seus vários parceiros, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Gal Costa, Maria Bethânia, Banda de Pau e Corda, Quinteto Violado, Alceu Valença, Geraldo Azevedo e por aí vai… Sons bem diferentes dos que tocavam no
Antonio Passos de Souza
7 de out.2 min de leitura


Capítulo XI - Audição à porta fechada
No início da década de 1970 minha família mudou-se de Dores para Aracaju, onde outras sonoridades musicais chegaram aos meus ouvidos. Também por volta daquela época, o meu irmão mais velho, nascido onze anos antes de mim, começou a estudar medicina na Universidade Federal de Sergipe. Acredito que aquele novo ambiente estudantil abriu acessos musicais até então desconhecidos e ele, aos poucos, começou a trazer, para ouvi-las em nossa casa, fitas K-7 com o repertório musical de
Antonio Passos de Souza
1 de out.2 min de leitura


Capítulo X - Dois vaqueiros e um segundo freio de arrumação
Esse primeiro momento narrativo abarca os anos nos quais morei em Dores e as sonoridades que lá me alcançaram, o contato com os conjuntos de baile em Ribeirópolis e as notícias e escutas remotas de Clemilda e do simão-diense Josa — O Vaqueiro do Sertão. Tratava-se de uma novidade, sugerindo os primeiros movimentos e provocando curiosidade. Era a aurora de um caminho que ainda abriria muitas veredas surpreendentes, entre as quais a experiência de mergulho na arte do fazer musi
Antonio Passos de Souza
24 de set.2 min de leitura


Capítulo IX - Clemilda: a nossa Francisco, o Homem
Ver de perto pessoas tocando instrumentos musicais e cantando, à semelhança dos artistas que gravavam discos, era um acontecimento que ainda ecoava o frescor da novidade. Foi quando a fumaça da música trouxe outra nuance: a presença sonora de uma artista sergipana que falava e cantava no rádio. Embora me dissessem que ela era sergipana — assim como eu, o alfaiate Regi, o cantor Tontonho e a organista Gerusa, que regia o conjunto Embalo D, em Dores —, eu não a via em nenhum do
Antonio Passos de Souza
19 de set.2 min de leitura


Capítulo VIII - Um parêntese para Regi, o alfaiate teatral
Naquela mesma época e ainda em Ribeirópolis, transparecia em mim um interesse por música maior do que o comum, entre garotos da minha idade. Nesse fervor, fui apresentado a um alfaiate chamado Regi, que tocava violão e trabalhava na alfaiataria de Tonho Saracura. Percebi logo que Regi não era um músico muito habilidoso. Ele tinha alguma dificuldade em harmonizar, no violão, os acordes armados por uma das mãos e a batida ou dedilhado feitos com a outra. Era desses artistas cuj
Antonio Passos de Souza
10 de set.2 min de leitura


Capítulo VII - Os Explosivos e outros conjuntos de baile
Pouco tempo depois dos primeiros contatos com a música, vivenciados exclusivamente em Nossa Senhora das Dores, tive acesso a mais uma configuração da expressão musical: os conjuntos de baile, como se dizia. Acredito que já estávamos na década de 1970 quando pude ver e ouvir de perto, pela primeira vez, um desses grupos. Recrudesceu, naqueles anos, algo como um sentimento de concorrência artística entre as cidades. Cada município deveria ter o seu conjunto musical, e esses dis
Antonio Passos de Souza
2 de set.2 min de leitura


Capítulo VI - Primeiro freio de arrumação
Do que até aqui foi contado, deduzo: por aquela época, além de senti-la, passei a saber da existência de uma expressão sonora chamada música. Ao vivo, corriqueiramente, eu a ouvia cantada — às vezes com algum acompanhamento instrumental — em missas e procissões católicas. Algumas brincadeiras infantis também eram musicais. A aparição da banda de música foi um episódio pontual e exterior àquela realidade. Apenas anos depois conheci bandas daquele mesmo tipo em atividade, radic
Antonio Passos de Souza
27 de ago.2 min de leitura


Capítulo V - Pequeno Príncipe e vozeirão prosódico
Às três primeiras lembranças – a banda marcial, o jingle e a capa do LP do rei Roberto Carlos –, fragmentadas ou enevoadas quanto à especificação de sonoridades, somam-se outras duas do mesmo período. Estas, porém, guardam as primeiras identificações de uma canção e duas vozes. A primeira canção pela qual lembro ter-me interessado de modo particular foi Banda da Ilusão, que logo também fique sabendo ser cantada por Ronnie Von. Nos dias de agora, dando uma fuçada no Google, lo
Antonio Passos de Souza
22 de ago.2 min de leitura


Capítulo IV - Cebion Glicose e Roberto Carlos
Um dia Tio Edson me presenteou com um disco de vinil, um brinde promocional com um jingle do suplemento vitamínico Cebion Glicose. Devo ter ouvido muito pouco aquele compacto, pois não havia toca-discos na nossa casa. Provavelmente o ouvi em casas de outras pessoas que, para me agradar, colocaram algumas poucas vezes o meu pequeno brinquedo musical para tocar — e certamente o faziam mais por mimo do que por entusiasmo musical. Mas ficou a lembrança do prazer de ver e ouvir aq
Antonio Passos de Souza
11 de ago.2 min de leitura


Capítulo III - Um pouco de história e, quiçá, sociologia dorenses
Do lado oposto ao que morávamos, na mesma praça, residia um casal, dona Aurinha e seu Edson. Eu a chamava de vó e neto dela eu me sentia. A ele eu chamava de tio. Assim era o casal para mim e pronto: vó Aurinha e tio Edson. O sangue que não corria nas veias fluía no afeto, e disso me bastava. Guardo na memória imagens congeladas, como fotografias, dos dois sentados na calçada da nossa casa, conversando e rindo, na companhia do meu pai, da minha mãe e de outras pessoas — aquel
Antonio Passos de Souza
7 de ago.3 min de leitura


Capítulo II - O romance entre discos e agulhas
Façamos um breve regresso ao ponto em que paramos, como quem ata uma nota a outra por uma ligadura. Conforme já anunciado: “A segunda e a terceira lembranças diferem da primeira por não caberem num único dia, ainda que tenham alguma vizinhança temporal com o espetáculo da banda (…) suponho que tais fatos ocorreram entre 1969 e 1971.” Distinguiam-se ainda da primeira evocação porque, em lugar de músicos ao vivo, a fonte musical, em ambos os casos, era eletrônica. Havia sim uma
Antonio Passos de Souza
5 de ago.2 min de leitura


Capítulo I - Uma banda garbosa
Não tenho memória certa, nem data firme, do instante em que a música me visitou pela primeira vez. Mas juro, leitoras e leitores, que foi como naquelas fumacinhas dos desenhos animados — o vapor entrava em cena, os personagens flutuavam, levitados pelo aroma, e iam atrás da origem como cães farejando um osso. Quase sempre a tal nuvem inebriante conduzia a uma panela ou prato, donde saía o nevoeiro saboroso. Na minha comparação, que não peço perdão por fazer, a “fumaça” que me
Antonio Passos de Souza
25 de jul.2 min de leitura
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