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Capítulo IV - Cebion Glicose e Roberto Carlos

11 de ago.
2 min de leitura
Cebion Glicose, Roberto Carlos, A fumaça da música, Antonio Passos de Souza, Articulistas em rede.

Um dia Tio Edson me presenteou com um disco de vinil, um brinde promocional com um jingle do suplemento vitamínico Cebion Glicose. Devo ter ouvido muito pouco aquele compacto, pois não havia toca-discos na nossa casa.


Provavelmente o ouvi em casas de outras pessoas que, para me agradar, colocaram algumas poucas vezes o meu pequeno brinquedo musical para tocar — e certamente o faziam mais por mimo do que por entusiasmo musical.


Mas ficou a lembrança do prazer de ver e ouvir aquela magia, a agulha deslizando sobre os sulcos gravados no plástico negro e dali soar o som de uma canção com canto e instrumentos musicais.


Recordo as vozes infantis ou infantilizadas, e um pequeno trecho do refrão no qual era pronunciado o nome do produto: “Cebion Glicose” — isso é o que restou da sonoridade daquele jingle. Tudo o mais se tornou silêncio, e o silêncio, ao menos, não estrila.


A terceira recordação localiza-se em finais de tarde. Minha irmã, nascida nove anos antes de mim, me levava com ela quando ia encontrar com amigas e amigos em uma das calçadas laterais da igreja matriz.


Alguém do grupo trazia uma vitrola portátil e nela colocava discos de vinil — alguns bem maiores que o meu compacto publicitário. Eram os Long Plays ou LPs. O meu pequeno vinil com o jingle, ao lado daqueles discos deveras, evidenciou-se o que de fato sempre fora: um bibelô sonoro.


Não lembro de canções específicas que ali tenha escutado, mas arrisco a dizer que o artista mais badalado entre o grupo juvenil era Roberto Carlos. Essa afirmação me vem escorada pela recordação das capas dos discos que circulavam entre a turma da minha irmã — fixou-se na minha memória a estampa de Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (1967), na qual o astro capixaba cachoeirense aparece vestido de amarelo, dentro de um helicóptero.


Não sei se o helicóptero voava, mas a imagem, essa, até hoje flutua entre as nuvens rarefeitas das minhas lembranças.


Ilustração: Articulistas em rede com uso de IA.

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5 comentários


Graciela (WhatsApp)
15 de ago.

O texto da semana me arrancou a memória de um vinil que tanto adorava, do mesmo Roberto, com a música "Papo de esquina".  (Esta mensagem foi enviada pelo WhatsApp e transcrita aqui).

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Convidado:
13 de ago.

Achei o coração do "gostei". Falo o q sinto:: - vai escrevendo garoto. Eu irei lendo... aliás...escutando, ouvindo igual as músicas de Roberto Carlos. A poesia do conto até parece um canto suave . A gente lê repassando os passos e as pessoas na leitura envolvidas...e as lembranças vêem a tona . Parece q o sentimento acaba nos envolvendo.. Talvez mais quando "os Pingos destilarem" sobre este nosso chão de Dores.


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Jeane (WhatsApp)
12 de ago.

Eu recordo de meu encontro com a música, meu tio com um toca discos branco no qual ele ouvia músicas clássicas. Ele colecionava Lp's dos músicos famosos da música clássica. Eu não gostava daquele tipo de música e ligava um rádio de pilha no volume máximo. Minha vó dava aquele carão. Ela falava: Não faça isso com seu tio menina. Ele fica triste! Depois fui perceber a beleza dessas músicas. Também fui apresentada a outros ritmos por um grande amigo de infância que não está mais entre nós. Ele levava discos da Rita Lee, Caetano, Gil, Pink Floyd, Betânia e tantos outros que gosto até hoje. Ainda teve Led Zeppelin. (Esta mensagem foi enviada para o autor pelo WhatsApp…

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Sonaira (WhatsApp)
12 de ago.

Texto nostálgico, repleto de lirismo! Parabéns!!! (Esta mensagem foi enviada para o autor pelo WhatsApp e transcrita aqui).

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Luiz Schirmer
12 de ago.

Gosto muito do seu estilo de escrexer

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