Capítulo X - Dois vaqueiros e um segundo freio de arrumação

Esse primeiro momento narrativo abarca os anos nos quais morei em Dores e as sonoridades que lá me alcançaram, o contato com os conjuntos de baile em Ribeirópolis e as notícias e escutas remotas de Clemilda e do simão-diense Josa — O Vaqueiro do Sertão.
Tratava-se de uma novidade, sugerindo os primeiros movimentos e provocando curiosidade. Era a aurora de um caminho que ainda abriria muitas veredas surpreendentes, entre as quais a experiência de mergulho na arte do fazer musical — alguns pulos, da plateia ao palco!
Com a banda de música, nos capítulos que antecedem este, tive contato apenas uma vez. As vitrolas, os rádios e os discos de vinil ainda não eram objetos que eu pudesse acessar e consumir por conta própria; dependia sempre dos adultos para deleitar-me com a música.
Os conjuntos musicais eu acompanhei com interesse por breves anos. Pouco a pouco, o repertório dos bailes deixava de incluir novas sonoridades reveladas, que eu passara a preferir — a cena caducou, ao passo que o gosto amadurecia. Algo começou a se manifestar instável naquela atmosfera da primeira aproximação.
Sim, às vezes se fazia oportuno um segundo freio de arrumação: é o que está acontecendo agora! Daqui pra frente — resta a esperança — estaremos prontos para deixar os solavancos da estradinha vicinal e percorrer vias mais movimentadas e ligeiras.
A viagem guiada pela fumaça da música, iniciada na década de 1960, seria longa e estava só começando. Passaram-se décadas e continua!
Para ilustrar a última palavra do parágrafo anterior, confesso — talvez em pedante escorrego — que dia desses senti de volta ao velho peito a coceirinha do encanto musical.
Deu-se, acreditem, faz poucos dias, ao escutar canções de uma dupla no frescor dos primeiros acordes: a paulista Sophia Chablau e o soteropolitano Felipe Vaqueiro! Mas esses, não são assunto para agora.
Ilustração: Articulistas em rede com uso de IA.
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