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Capítulo VI - Primeiro freio de arrumação

27 de ago.
2 min de leitura
A fumaça da música. Capítulo VI - Primeiro freio de arrumação. Antonio Passos de Souza. Articulistas em rede.

Do que até aqui foi contado, deduzo: por aquela época, além de senti-la, passei a saber da existência de uma expressão sonora chamada música. Ao vivo, corriqueiramente, eu a ouvia cantada — às vezes com algum acompanhamento instrumental — em missas e procissões católicas. Algumas brincadeiras infantis também eram musicais.


A aparição da banda de música foi um episódio pontual e exterior àquela realidade. Apenas anos depois conheci bandas daquele mesmo tipo em atividade, radicadas em outras cidades do interior sergipano; além daquelas vinculadas a corporações militares e mais algumas, sediadas na capital.


Sabia também da existência de uma música vinda de longe, cantada e tocada por pessoas que eu supunha existir, porque além de ouvir as vozes saindo do rádio e das vitrolas, via as caras de algumas delas em fotografias impressas nas capas de discos e em revistas.


Esta narrativa vai assim, cheia de pulos. Aos que preferem marcha firme, peço desculpas, como quem troca um pneu com o carro andando; as lembranças não andam em fila — saltitam, e eu apenas as sigo.


De início não consigo relacionar as reminiscências a datas precisas nem sequenciá-las no tempo. Cada uma dessas recordações pode ter acontecido um pouco antes ou depois das outras — ou, algumas delas, em paralelo. Só um pouco mais tarde os fatos poderão ser localizados melhor em uma linha cronológica.


Daqui pra frente, quando forem aparecendo mais e mais nomes de artistas e canções, é preciso dizer que não é intenção deste relato abranger uma história da música. As citações que forem sendo feitas, sejam de artistas brasileiros, de outros países ou sergipanos, não estarão vinculadas a nenhum critério que as classifique por qualquer grau de importância.


O que contarei, com a intenção de alguma aproximação temporal, é fruto tão somente de lembranças das pequenas porções retalhadas que a mim chegaram daquilo que constituiria uma massa sonora total da música do mundo, filtradas pela subjetividade de um gosto particular que se foi formando.


Falo apenas da música que alcançou os ouvidos de um certo alguém, entre algumas poucas cidades do pequeno pedaço de Brasil chamado Sergipe, num recorte temporal iniciado na década de 1960 — incluindo sonoridades vindas do passado e projetadas sobre períodos diversos das minhas vivências.


Conta-se que, quando era usual transportar gente, pequenos animais, sacos e outras bagagens, tudo misturado, na carroceria de caminhões, de vez em quando, o motorista dava um freio brusco. A intenção era melhor acomodar e aquietar a carga. Era o chamado freio de arrumação.


Sim, um freio de arrumação! É o que se deu neste capítulo áspero — e se alguém aí do lado da leitura sentiu o tranco, era essa mesmo a intenção.


Ilustração: Articulistas em rede com uso de IA.

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4 comentários


Joel Nascimento Filho
01 de out.

Muito bom, as lembranças vão aflorando a cada dia.

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Convidado:
01 de set.

Relatos.... reminiscências....e muita inteligência!

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Ubirajara (WhatsApp)
29 de ago.

Vivi esses freios de arrumação, quando ia ou vinha do Atheneu, em ônibus coletivo (marinete), tempo de estudante. (Comentário enviado pelo WhatsApp e transcrito aqui).

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Augusta
29 de ago.

Esse carro da imagem , me fez lembrar de uma viagem de salgado para Aracaju , anoite , com uma galera nos anos 2000 e berere kkkk ficamos sem transporte e resolvemos pedir carona na pista kkkk e pra nossa surpresa um caminhão pequeno com bois e cavalos , parou para dar a tal da carona , éramos 7 jovens sem noção do perigo, a metade do caminhão o dono amarrou cordas para dividir e a outra metade era cocô de vaca , quando o motorista dava um freio os animais vinha pra cima da gente, que empurrava os animais com as corrdas kkk quando o motorista nos deixou na entrada do conjunto dom Pedro , foi que …

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