Capítulo V - Pequeno Príncipe e vozeirão prosódico
- Antonio Passos de Souza

- há 2 dias
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Às três primeiras lembranças – a banda marcial, o jingle e a capa do LP do rei Roberto Carlos –, fragmentadas ou enevoadas quanto à especificação de sonoridades, somam-se outras duas do mesmo período. Estas, porém, guardam as primeiras identificações de uma canção e duas vozes.
A primeira canção pela qual lembro ter-me interessado de modo particular foi Banda da Ilusão, que logo também fique sabendo ser cantada por Ronnie Von. Nos dias de agora, dando uma fuçada no Google, localizo-a como uma das faixas do LP Ronnie Von e Seus Sucessos (1971).
Assim, o canto do Pequeno Príncipe da Jovem Guarda – não o de Exupéry, que só me fora dado descobrir tempos depois – foi provavelmente o primeiro que passei a reconhecer como uma voz de cantor, identificada no meio das muitas e variadas canções que me chegavam em discos de vinil ou pelas ondas do rádio.
Enquanto Roberto Carlos, Ronnie Von e outros cantores e cantoras da Jovem Guarda eram os preferidos na turma da minha irmã, o rádio também transmitia programas musicais que agradavam a outros ouvintes, de outras faixas etárias.
Lembro-me vagamente de estar sentado ao lado do meu pai e entre nós um grande aparelho de rádio, sempre de noitinha. Ali escutávamos músicas da preferência dele. Diversas cantoras e cantores sucediam-se e, aos poucos, eu também começava a distinguir algumas daquelas vozes.
Sem destacar, nessa cena radiofônica uma canção que tenha me interessado mais que outras, recordo que certa vez, de chofre, meu pai perguntou de algum modo sobre qual daquelas vozes mais me agradava. Ao que respondi sem titubear: Carlos Galhardo.
Era um vozeirão operístico, carregado de sotaque estrangeiro. Era a prosódia de um filho de italianos, nascido em Buenos Aires no ano de 1913 e trazido com a família para morar no Brasil aos dois meses de idade.
Eu então não tinha ideia do que fosse voz operística e nem sotaque estrangeiro, mas o resultado sonoro expresso naquele canto destacou-se como um grifo na minha longínqua audição infantil.
Do modo como restou aqui posto, não posso negar, o Pequeno Príncipe da Jovem Guarda e o vozeirão prosódico de Carlos Galhardo fizeram por caber nestas mal traçadas.
Ilustração: Articulistas em rede com uso de IA.
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Bom dia, meu amigo!
Gostei desse seu artigo. Aliás, suas bem traçadas linhas são sempre muito bem-vindas! 😉📝
Falando em cantores, vez por outra eu ouço uns incomuns... Jessé, por exemplo. Aquele "Porto Solidão" que ele declamava, melodicamente, em oitavas inalcançáveis pelos colegas, adentram no meu espírito com uma força que nem sei adjetivar. Salve a música de qualidade, a qual, aliás, nem precisaria dessa locução adjetiva!... Ainda bem que existiu a época de Von, Galhardo, Jessé, Tom e tantos(as) outros(as), tempo em que música era, por inerência, de onde viesse, afago n'alma.
Forte abraço e feliz semana! 😉 Partilhe sempre seus escritos. Muito obrigado. 🔊🎶🎵🎶🎵(Comentário enviado pelo WhatsApp e transcrito aqui).