Capítulo I - Uma banda garbosa
- Antonio Passos de Souza

- há 2 dias
- 2 min de leitura

Não tenho memória certa, nem data firme, do instante em que a música me visitou pela primeira vez. Mas juro, leitoras e leitores, que foi como naquelas fumacinhas dos desenhos animados — o vapor entrava em cena, os personagens flutuavam, levitados pelo aroma, e iam atrás da origem como cães farejando um osso.
Quase sempre a tal nuvem inebriante conduzia a uma panela ou prato, donde saía o nevoeiro saboroso. Na minha comparação, que não peço perdão por fazer, a “fumaça” que me arrastou eram feixes de ondas sonoras, nascidas de não sei quantas fontes de composição, interpretação e difusão musical.
Três recordações remotas guardo dos primeiros encontros — digo recordações, mas são antes imagens, porque a memória me prega peças e só me devolve as cenas visuais, recheadas de sons que já não distingo bem, associados cada qual a seu momento.
A primeira lembrança é restrita a um só dia. Refiro-me a uma banda de música vinda de fora, que tocava na Praça da Matriz em Nossa Senhora das Dores, diante da igreja católica, por ocasião de uma visita festiva do governador do estado ao município.
Da música não me lembro. Mas das pessoas enfileiradas, vestindo uniformes azul-marinho com ornamentos brilhantes, dourados ou prateados, e quepes brancos — dessas não esqueço. Era uma banda garbosa.
Brilhantes também os instrumentos: os sopros de metal, as chaves das madeiras, os pratos e o corpo dos tambores e caixas. Atraiu-me aquela primeira apresentação que vi e ouvi de uma banda de música. Nada mais guardo daquele dia, senão estar parado ao lado dos músicos, embevecido pelos sons que faziam soar.
A segunda e a terceira lembranças diferem da primeira por não caberem num único dia, ainda que tenham alguma vizinhança temporal com o espetáculo da banda. Considerando minha data de nascimento e os anos que morei na cidade natal, suponho que tais fatos ocorreram entre 1969 e 1971.
Mas… Deixemos o segundo e terceiro sons ancestrais na formação do meu gosto musical para outro dia. A banda de música, no posto de mais remota entre as perseverantes lembranças da minha imersão na arte dos filhos de Jubal, bem merece este capítulo de hoje só para ela.
Ah! Só mais um instante, antes de fechar esta introdução às memórias que agora lanço ao papel. Querem saber a gênese de tudo isto? Foi uma pergunta: como a música do mundo chegou aos ouvidos de uma criança nascida no interior de Sergipe, nos anos 1960?
Ilustração: Articulistas em rede com uso de IA.
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Muito bom. Quem já não se encantou assim? Parabéns.
Há quem diga que escrever um livro é o mesmo que gerar e dá a luz a um filho, Isso é o que dizem. Certamente, todo processo de construção demanda tempo, paciência e as inevitáveis dores, quando a escrita nos faz relatar momentos difíceis e constrangedores. A caneta sobre o papel, são um par perfeito. As letras formam as frases, as orações e por fim os períodos. Tá pronto! Tudo aquilo que a inspiração permitiu revelar. Escrever é dom e ler uma virtude.
Ah! Relembrei meu tempo de criança. Quando a banda de música da polícia militar passava na porta de casa. Saia acompanhando e marchando. Parabéns, gostei muito.
Gostei muito do texto. Me fez viajar no tempo...