Capítulo VII - Os Explosivos e outros conjuntos de baile
- Antonio Passos de Souza

- há 6 horas
- 2 min de leitura

Pouco tempo depois dos primeiros contatos com a música, vivenciados exclusivamente em Nossa Senhora das Dores, tive acesso a mais uma configuração da expressão musical: os conjuntos de baile, como se dizia.
Acredito que já estávamos na década de 1970 quando pude ver e ouvir de perto, pela primeira vez, um desses grupos. Recrudesceu, naqueles anos, algo como um sentimento de concorrência artística entre as cidades. Cada município deveria ter o seu conjunto musical, e esses disputavam a preferência do público em festas que eram realizadas por todo canto.
Quanto mais afamada fosse a banda de baile, mais seria solicitada e contratada. O mais prestigiado entre esses conjuntos em Sergipe, embora muitos outros tenham existido — e acho que isso permaneceu assim enquanto aquele formato de expressão musical teve relevância —, foi o Los Guaranis, da cidade de Lagarto.
Durante parte da minha infância e adolescência, quase invariavelmente, passei todos os períodos de férias escolares em Ribeirópolis, na casa da minha avó materna, Mãe Zezé — como todos nós netos e netas a chamávamos.
Foi naquela cidade que comecei a ser levado para bailes noturnos, realizados no Colégio João XXIII ou em um grande salão conhecido como O Clube, onde se apresentavam os conjuntos musicais. Fui a bailes com alguns deles; inclusive, alguma vez, assisti ao Los Guaranis.
Assim como me postei admirado diante da banda de música, encantaram-me os conjuntos musicais. Nos bailes, ficava quase o tempo todo parado perto do palco, arrebatado pelas imagens e sons da interpretação musical. Não dançava; dançavam por mim os outros.
A motivação dos conjuntos de baile era imitar, com fidelidade, sucessos da música brasileira e da música internacional — como eram chamadas, de modo geral, canções vindas de fora do Brasil.
O que hoje se chama cover é outra coisa. As bandas cover dedicam-se a reproduzir a sonoridade de um determinado artista ou grupo, já os conjuntos de outrora procuravam oferecer cópias fiéis de um repertório bastante diversificado, com ênfase no hit parade, mas também abarcando canções que fizeram sucesso em épocas passadas.
Aderindo à moda de então, Ribeirópolis também teve o seu conjunto musical: Os Explosivos. Eles ensaiavam em uma pequena sala, perto da casa da minha avó. Assim que descobri isso, aqueles ensaios tornaram-se minha brincadeira.
Naqueles dias, passei manhãs inteiras quieto em um canto, atento, vendo e ouvindo o ensaio dos Explosivos, com especial fixação na bateria – o instrumento que mais me seduzia. Esses grupos musicais, salvo alguma pequena variação, eram formados por bateria, contrabaixo elétrico, guitarra base, guitarra solo, teclado e voz; em alguns, havia percussão.
Não lembro dos nomes de todos os integrantes dos Explosivos; apenas quatro restaram identificados na minha memória: Zé Costa (guitarra base), Ed (guitarra solo), Branco (bateria) e Tontonho (voz). Também não recordo se tocaram todos na mesma formação ou se, entre eles, houve alguma sucessão.
Ilustração: Articulistas em rede com uso de IA.
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