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Capítulo XII - Ecos de uma primeira revolução musical

há 23 horas
2 min de leitura
A fumaça da música. Antonio Passos de Souza. Ecos de uma primeira revolução musical. Articulistas em rede.

Às canções trazidas pelo meu irmão eu só tinha acesso na presença dele, que andava com um gravador portátil a tiracolo, no qual colocava para tocar as fitas K-7.


Na sequência do Menestrel do Brasil vieram Chico Buarque, Nara Leão, João Gilberto, Vinícius e seus vários parceiros, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Gal Costa, Maria Bethânia, Banda de Pau e Corda, Quinteto Violado, Alceu Valença, Geraldo Azevedo e por aí vai… Sons bem diferentes dos que tocavam no rádio e nos programas de auditório da TV.


Tempos depois, ele me contou que o acesso à Banda de Pau e Corda e ao Quinteto Violado deu-se por intermédio de um amigo de Ribeirópolis, João Costa, que fora estudar em Pernambuco, mas sempre passava as férias na casa dos pais, na terra natal.


Aquela música nova tomou a minha atenção e fascinou-me o gosto, a princípio porque eu a identificava com a atitude sofisticada que, aos meus olhos, o ambiente universitário chuviscava sobre o meu irmão — sonoridades que provocavam, ao mesmo tempo, estranheza e atração.


Quanto aos novos compositores e intérpretes, eu não os ouvia ou via facilmente. Comentava-se, à boca miúda, que alguns tinham sido expulsos do Brasil e estavam morando em outros países. Foi preciso um punhado de tempo para curar a carência.


Apenas no início da década de 1980 os álbuns de vinil daqueles artistas, antes raros para mim, tornaram-se mais acessíveis. Só então pude abraçar, com liberdade, aquela música que recebia a designação genérica de MPB.


Depois que nos mudamos para Aracaju perdi quase que totalmente o contato com Dores. Dali em diante eu sempre estava na capital, nos períodos de aula, ou em Ribeirópolis, durante as férias escolares.


Entre essas duas cidades se deu todo o meu acesso à música a partir de então: por meio do rádio, da TV, dos discos de vinil e fitas K-7, e dos serviços de alto-falante que eram instalados em parques de diversão.


Na terra dos cajueiros e papagaios passei a frequentar maior diversidade de apresentações musicais ao vivo, feitas por artistas locais ou vindos de fora.


Ribeirópolis, por sua vez, presenteou-me com uma inesperada aparição musical, ungida de encanto. É o que trarei à luz na próxima página.


Ilustração: Articulistas em rede com uso de IA.

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1 comentário


Lúcia Regina Barrêto
há 5 horas

Tempos de Glória, Só Saudades 😽

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