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Nem tudo pode ser dito...

6 de ago.
2 min de leitura
Edifício Maria Feliciana. Governador Lourival Baptista. Sergipe. Articulistas em rede. Duarte Filho.
Edifício Maria Feliciana, construído entre 1969 e 1970 durante o governo Lourival Baptista

Por si só, a ação de se imaginar normalmente nunca é antecedida de um propósito. A imaginação está atrelada à condição humana da consciência.


Uma consciência sem imaginação ficaria presa apenas ao que é concreto e físico, incapaz de inventar o futuro ou refletir sobre o passado.


O que trago aqui na verdade é a descrição de um evento grandioso para a época, na cidade de Nossa Senhora das Dores, na década de setenta, o que diria "cômico, pra não dizer que foi trágico." Sim, porque de tragédia nada houve, mas pra quem possa trazer à sua memória, hoje, certamente restaram somente as boas risadas de uma comédia ao relembrar aquele momento.


Não sei precisar o evento que ali era realizado, mas a praça dita da feira estava repleta diante de um caminhão com suas grades rebaixadas. Muitas eram as autoridades municipais presentes e outras tantas vindas de fora. Eu também lá estava fazendo parte como aluno, fardado, enfileirado, com a atenção que nos disseram para ter pela importância do evento.


No momento mais intenso, quando já haviam se passado algumas horas do início do evento, aplausos muitos sucederam ao anúncio da fala do nosso governador.


Após referências aos presentes, a uns de forma nominal e aos outros de forma generalizada, certo é que se seguiu um discurso político de cunho regional além da descrição dos seus maiores feitos, realizações. Ao descrever a construção do maior edifício do Estado, o já conhecido popularmente “Edifício Maria Feliciana”, o nosso governador acrescenta à sua fala, percebe-se que de forma improvisada, que já havia dado ordem de serviço para que se acrescentasse a esta obra, a que se referia, ao “Edifício Maria Feliciana”, mais três andares para que de lá, de Aracaju, da Capital, ele pudesse enxergar a cidade de Dores.


Não sei, nesse momento, me recordar se maiores foram as risadas espontâneas ou as palmas induzidas, as quais fomos obrigados a produzir, sob pena de no retorno à escola sermos punidos. Os tempos eram outros, o próprio governador era biônico.


Ora, pois, estou também certo da grandeza da imaginação dos nossos políticos, desde muito, e que segue pelos nossos dias nos mais diversos níveis e poderes. Que um dia, a arte de tornar possível o bem imaginado, seja mais real e frequente, é o que desejo.


Foto: Redes Sociais / Reprodução.

Duarte Filho nasceu em Ribeirópolis/SE e reside atualmente em Aracaju/SE. É autor do livro Foi Assim... Confesso! Entre Atos e Omissões - Crônicas, Editora ArtNer, 2025.

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5 comentários


Bosco, amigo, irmão da químic.
07 de ago.

Que riqueza de detalhes meu amigo. Parabéns por relembrar parte tão importante de nossa história.

Mesmo sabendo que nem tudo pode ser dito, fale aí o nome do cabra de peia.

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Dinorá Maria de Resende
07 de ago.

Maravilha Eduardo, trazer à tona lembranças que estavam adormecidas no seu eu, que por certo nos inspira a ir até o passado para tentar reviver algo similar. Concordo, com a introdutória " a imaginação está atrelada à condição humana da consciência" . Em frente com esse seu lado poético

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Convidado:
07 de ago.

Como sempre, sua narrativa nos faz presente na história, como se tivéssemos vivendo-a. Maravilha.

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Convidado:
06 de ago.

De grande relevância para nossa cultura e história termos autores como você ,que com sua inteligência e criatividade nos transmite sabedorias!!Parabéns!!

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Carmen Lucia de Azevedo e Mell
06 de ago.

Filha de pais sergipanos nasci e cresci longe, no Sul, ouvindo estórias e sempre imaginando os lugares e os costumes de lá, sentindo saudade de tios, primos, avós e lugares que nunca conheci.

Lendo seus relatos mais uma vez vivencio a riqueza e a beleza desta terra e deste povo que aprendemos a admirar e a amar de longe.

Obrigada por suas narrativas tão reais, que nos remetem a lugares, sabores e pessoas de forma tão próxima.

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