Cavalo meu, cavalo de pau
- Duarte Filho

- há 1 dia
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Viver o presente e projetar o futuro em pensamentos e sonhos é da condição humana, dentre outras capacidades. Ter bem guardado em mente, realizações passadas, é também muito próprio de nossa capacidade.
Quem, quando ainda criança, já não fez de um cabo de vassoura um seu grande e imponente alazão? Se assim foi, certamente jamais esquecerá dos momentos tão prazerosos vividos. Imprimiam posturas e manobras extremamente radicais que somente um “cavalo de pau” é capaz de realizar. Assim, com radicalização extrema, somente ao cavaleiro montador se atribui essas iniciativas.
Na atividade automotiva, manobras radicais de mudança de direção repentina, logo se atribuiu o nome de “cavalo de pau” por semelhança às manobras tão radicais como àquelas realizadas com um simples cabo de vassoura.
Montado em seu cabo de vassoura feito cavalo, sempre corríamos em desembesto para cumprir missão assemelhada às dos grandes vaqueiros de renome da região. Podia chover, fazer sol escaldante, dia ou noite, ele, o cabo de vassoura escolhido como cavalo, estava sempre à disposição para naquele desembesto referido dispararmos.
Este ano, em uma Escola do interior do nosso Estado, Escola Municipal Prefeito Leônidas Oliveira Santos, precisamente na cidade de Cristinápolis, uma equipe de professores juntamente com a Direção da escola promoveram uma cavalgada extraordinária trazendo à luz da sociedade local a cultura do “cavalo de pau”, diversão tão praticada e conhecida na região em tempos passados.
A participação no evento foi simplesmente extraordinária e dezenas de crianças (meninos e meninas) se fizeram presentes com seus alazões imaginários e em movimentos bem treinados demonstrando assim aos presentes a postura de verdadeiros cavaleiros e amazonas na condução de seus, bem treinados, animais.
Salve, pois, a iniciativa grandiosa dessa Equipe que bem pensou em trazer, nesse momento tão importante, elemento cultural da infância que sempre marcou em nossas memórias, épocas outras vividas por todos.
Salve o cavalo, esse feito de pau, de um simples cabo de vassoura, após uso como utensílio de limpeza, ainda servia para em sonho, imprimir nas mentes santas e puras de nossas crianças, mundo afora, onde quer que estejam, momentos impossíveis de serem esquecidos.
Fotos: Evento em Cristinápolis / Disponibilizadas por Duarte Filho.
Duarte Filho nasceu em Ribeirópolis/SE e reside atualmente em Aracaju/SE. É autor do livro Foi Assim... Confesso! Entre Atos e Omissões - Crônicas, Editora ArtNer, 2025.
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