Capítulo XV - O oásis das trilhas sonoras

Mas a TV, desde quando pude assisti-la, não fora monolítica em matéria de música. As trilhas sonoras de telenovelas e séries da Globo foram oásis.
Eis meu panorama daquele perfume que me inebriou desde meados até o final dos anos 1970, com canções que dão as notas do aroma duradouro.
Corria 1975. Ao assistir a Gabriela, encantaram-me Modinha para Gabriela, de Dorival Caymmi, na voz de Gal Costa; e Filho da Bahia, composição de Walter Queiroz, cantada por Fafá de Belém.
Logo em seguida, entre 1975 e 1976, foi ao ar Pecado Capital. Minha memória não desabraça duas faixas: a música-título da novela, por Paulinho da Viola; e Juventude Transviada, com Luiz Melodia.
De Saramandaia, em 1976, deslumbraram mais o meu gosto Pavão Mysteriozo, composta e cantada por Ednardo; e Caso Você Case, de Vital Farias, na interpretação de Marília Barbosa.
Deu-se então o Sítio do Picapau Amarelo, iniciado em 1977, com suas inesquecíveis canções: a de abertura, com o mesmo nome da série, corpo e alma de Gilberto Gil; e a voz única de Dorival Caymmi na faixa por ele assinada, Tia Nastácia…
Por via da trilha sonora de O Astro, entre 1977 e 1978, apeguei-me à voz, ao violão e à ginga de João Bosco, descobertos em Bijuterias; e ao samba Saco de Feijão, cantado por Beth Carvalho — protesto contra a carestia, que não era mole.
No rastro do sucesso da novela Dancin’ Days, de 1978 para 1979, vieram a canção de mesmo nome, feita espetáculo visual e sonoro por elas, As Frenéticas; e João e Maria, nas vozes de Chico Buarque e Nara Leão.
Agora revelo por que encerrei o parágrafo do Sítio do Picapau Amarelo com reticências. Para doer menos o pecado de nele ter citado só duas canções. Sim, obcecou-me manter a simetria com as demais produções mencionadas — formalismo excessivo.
Nesse caso a equidade foi injusta com a sensibilidade. Todas as faixas daquela trilha continuam meus clássicos afetivos: Visconde de Sabugosa, de João Bosco e Aldir Blanc; Narizinho, de Ivan Lins e Vitor Martins; e por aí vai.
Relembrando, ponho-me diante de uma pergunta ilustrativa: que diferença substancial eu sentia entre a música de Roberto Leal e o que cantavam As Frenéticas? — era sentimento sem compreensão; agora, o contraste desvencilha-se da penumbra.
Em Roberto Leal pairava uma tônica cerimoniosa, embora festiva; já com as tais Frenéticas o tom era de irreverência e liberdade de expressão. Esse contraste esteve na raiz da minha inclinação para elas.
Ilustração: Articulistas em rede com uso de IA.
Obrigado por ter lido esta publicação. Se gostou da leitura, por favor, dê um click no coraçãozinho que está do lado direito, um pouco mais abaixo. Valioso também é receber um comentário seu e isso pode ser feito descendo um pouco mais na rolagem da página e escrevendo no espaço Escreva um comentário. Temos fé no diálogo!









Comentários