A lição de Gel
- Marcone Borges

- há 1 dia
- 2 min de leitura

Falo de Gel, filho de dona Nenem. Ele é baterista, certo? Nunca mais o vi. Era uma pessoa leve, de uma risada fácil, gratuita.
Certo dia, em um baba na rua do telégrafo, entre o bar de seu Pacheco e a casa de Zé, irmão de Magda, recebi a bola, dei um corte pra direita, me livrei de Gel e fiz o gol.
Uns dois ou três participantes do baba ficaram tirando onda com Gel por causa do drible que ele levou.
Aí Gel ficou com a fisionomia mais séria e disse: “vocês estão mangando de que? Isso é do jogo”. Ele veio em minha direção e me cumprimentou, apertou minha mão e me deu os parabéns pela jogada e pelo gol.
Fiquei agradecido pela atitude de Gel, aquele cara sempre brincalhão que ficou mais sério naquele momento para nos passar a mensagem de que, tudo bem tirar brincadeira, mas o importante é levar na esportiva e saber que certas coisas não devem ser vistas como algum tipo de vergonha ou de vaidade, elas fazem parte do “jogo”.
Eu tinha dez anos de idade na época, pra mim foi um bom aprendizado. Só um detalhe. O fato ocorreu em uma segunda-feira do ano de 1978. No dia anterior o Vitória tinha ganhado do Bahia por 1 x 0 e eu estava radiante, doido pra ir pra casa ver o gol do ponta esquerda Sivaldo e os melhores lances da partida.
Lembro de ter dito, vou pra casa ver os lances do Ba-Vi. Um dos colegas presentes e que estava tirando onda com Gel, gostava de futebol, mas indagou: “Ba-Vi?” Eu expliquei o que era.
Quem tiver notícias de Gel ou o contato dele, por favor, passe pra mim.
Foto: Redes Sociais / Reprodução.
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