A direita, o Direito e a urgência fisiológica
- Tubiba Dourado

- há 6 horas
- 2 min de leitura

O mote para esta reflexão miúda encontrei-o lendo Rubem Alves: mais exatamente o capítulo “Os juízes”, do livro O velho que acordou menino. Antes de qualquer divagação, vamos às palavras do astuto escritor mineiro:
“Um outro caso de desencontro entre os homens do lugar e os juízes efêmeros se deu quando um roceiro que viera à cidade para comprar querosene, sal, rapadura e fumo de rolo se sentiu premido por uma urgência fisiológica inadiável. Sem alternativas, fez o que normalmente fazia na roça. Valendo-se de um muro de adobes caído entrou num terreno baldio onde o mato crescera, abaixou as calças, agachou-se e pôs-se a obrar. Vinha por aquela mesma rua um juiz com chapéu panamá e guarda-chuva enrolado que fazia as vezes de bengala, costume generalizado naquela época, que, vendo o homem fazendo o que fazia, horrorizou-se com tal falta de respeito, posto que era provável que por ali viessem a passar excelentíssimas senhoras. ‘O senhor não sabe que é contra a lei defecar em público?’, esbravejou o juiz. Sem saber o que era ‘defecar’, o roceiro entendeu a mensagem, e sem sair da sua posição deu uma lição de Filosofia do Direito ao juiz presunçoso: ‘Seu dotô, há necessidades que são mais fortes do que a lei…”
Ao ler o causo, veio-me o insight. Lembrei-me dos candidatos da nova extrema direita brasileira, falando sobre direito e justiça. Como se parecem com o “juiz presunçoso”!
E aí está o “x” do problema: qualquer um que não seja um poço de ingenuidade, ou não esteja aturdido por brutalidade intelectual, sabe que o Direito apartado da Filosofia do Direito é coisa de altíssima periculosidade.
Foto: Redes Sociais / Reprodução.
Obrigado por ter lido as notinhas. Se gostou da leitura, por favor, dê um click no coraçãozinho que está do lado direito, um pouco mais abaixo. Valioso também é receber um comentário seu e isso pode ser feito descendo um pouco mais na rolagem da página e escrevendo no espaço Escreva um comentário. Temos fé no diálogo! Os artigos assinados são de inteira responsabilidade dos seus autores, não correspondendo necessariamente com a opinião do Articulistas em rede.








Comentários