Candidatos sem propostas...
- Tônia Lobão

- há 2 dias
- 3 min de leitura

Li a crônica da corrida ao Senado à procura de uma ideia, uma proposta, um projeto. Encontrei palanques, convenções, pesquisas e aforismos: currículo abre portas; voto exige alguém do outro lado para recebê-lo. Belíssimo. Só faltou o que os candidatos pretendem fazer lá, caso eleitos. Detalhe chato, evidentemente.
Aprende-se na semana que silêncio não significa ausência e que maturidade fala baixo. Pois bem. Na política, o silêncio também pode significar exatamente o que parece: silêncio. Quem não aparece, desaparece — e não há frase feita que traga de volta o eleitor que foi ver o outro.
Ser o primeiro candidato com registro confirmado no sistema eleitoral é uma vitória formal – ouvi dizer. Vitória formal é aquela em que ninguém votou. No imaginário do carimbo, quem chega primeiro ao cartório já sai com moral. Mas… Falta o palanque, falta o rosto, falta a presença — falta quase tudo, menos o papel.
Soy loco por ti Brasília…
Ser empresário, no noticiário brasileiro, é qualificação suficiente para a presidência — como se administrar uma empresa fosse governar um país. O mito do forasteiro que vai varrer a política vende bem, mas tem um defeito: o Brasil não é balanço patrimonial, e gente não é custo.
Por falar em Zema… O partido lança candidato à presidência e, na mesma convenção, anuncia que ainda não sabe quem será o vice. É navio zarpando sem saber o nome do imediato, casamento assinado antes da escolha da noiva…
O mesmo que acusa o adversário de estar há vinte anos no poder esquece de dizer há quantas décadas a própria família circula por ele, no seu estado. Certas oligarquias não têm pressa: trocam de sigla, trocam de discurso, trocam de opinião — mas o sobrenome, esse fica. Isso me lembra a metáfora do sepulcro caiado!
Pendengas da terrinha…
Haja liminar, haja recurso, haja reviravolta: a novela se arrasta há meses e promete atravessar a eleição. A única certeza é que o tribunal muda de humor como o tempo — sem avisar. Enquanto os tribunais oscilam, o eleitor corre o risco de ir à urna sem saber os nomes que encontrará.
Extra! Extra! Valadares Filho — do staff de Fábio Mitidieri — protocola pedido de impugnação contra Valmir. No tribunal, supõe-se que o governo não pode entrar com caneta; já no cartório eleitoral, entra com secretário e tudo.
Partidários do filho de Francisquinho acusam os oponentes de julgarem antes do acórdão, mas, fazem o mesmo na direção contrária, ao afirmar na bucha: “Valmir segue candidato, ponto final”. A pressa dos outros, chama-se boato; a própria, tese. O Direito é sempre generoso com quem o invoca a favor.
Caso sério…
Itabaiana, que vive há meses no noticiário político sergipano entre registro, impugnação e liminar, estampa agora um ranking menos cobiçado: 4,4% de infestação do mosquito da dengue. Enquanto a disputa pelo governo segue encruada, o Aedes ameaça governar a cidade serrana — sem convenção, sem recurso e sem adversário.
Foto: Redes Sociais / Reprodução.
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