A convenção do governador nas entrelinhas do release…

Em 2022, eram adversários, “isso é democracia”; em 2026, abraçam-se no mesmo palco, “isso é propósito”. A democracia, coitada, é invocada para justificar o passado e o presente, sem nunca explicar como o oponente de ontem virou irmão de hoje, sem mudar uma vírgula sequer: nas ideias, nas atitudes e nas intenções.
O que era adversário virou irmão, o que era distância virou abraço, e o “definitivamente” de hoje pode ser o “engano meu” de amanhã. Mas a próxima eleição ainda está muito longe, o negócio agora é 2026.
“O governador escolheu os mais comprometidos, os que sabem encurtar distâncias em Brasília”, diz André Moura. Uns chamam a isso compromisso; outros, em linguagem menos cerimoniosa, fisiologismo. Mas o palanque sempre prefere o eufemismo — é mais adequado entre correligionários e não mancha a camisa.
“Não existe Fábio sem André, não existe Fábio sem Rogério, não existe Fábio sem Jeferson.” E, aparentemente, não existe nenhum deles sem o outro — a encenação é ótima para a foto, mas vai fundir a cuca de muita gente.
Em duas horas de convenção, quantas propostas, exatamente? Sobraram elogios, abraços e jingles. Proposta, proposta mesmo, ficou para a próxima convenção.
A maior convenção já vista em solo sergipano, garantem os organizadores — e quem os contradiz é, naturalmente, adversário de má-fé. O espaço ficou apertado, o trânsito travou… Quer dizer então que acomodar mal os convidados e engarrafar a cidade é sinônimo de sucesso?
Os oponentes ousam sugerir que o C maiúsculo da convenção comandada por Mitidieri foi potencializado pelos dois cês de Cargos em Comissão. Bobagem, rebatem os organizadores, com a indignação de quem nunca viu um carguinho de perto.
Entre Marques e Gaspar…
O presidenciável do PL prometeu uma mulher na chapa e apresentou um homem: o alagoano Alfredo Gaspar. O discurso foi um, o gesto foi outro. O escolhido chega à vice sob acusações cabeludas.
Ele nega, jura e até joga uma das denúncias no colo de um primo distante. A defesa é romanesca, digna de folhetim — e folhetim, como se sabe, é gênero em que o autor escolhe o enredo.
Cá na terrinha, porém, a escolha foi recebida com festa pelo vice-prefeito desalojado da capital e pré-candidato ao governo. Ricardo Marques parabenizou Gaspar chamando-o de nordestino de coragem, e falou em união entre Sergipe e Alagoas — seria um abraço mútuo entre náufragos?
Foto: Redes Sociais / Reprodução.
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