Entre o sagrado e o profano: o Carnaval
- Luiz Eduardo Oliva

- há 22 horas
- 3 min de leitura

Por determinação da Igreja Católica no Concílio de Niceia no ano de 325 determinou-se que a páscoa seria celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia que ocorre após o equinócio de primavera (no Hemisfério Norte) e outono (no Hemisfério Sul) podendo acontecer entre o dia 22 de março e 25 de abril. Digo isso porque a quarta-feira seguinte à terça-feira de carnaval marca o início da Quaresma, período de 40 dias que antecede a semana santa.
E o carnaval? A palavra deriva do latim "carnelevarium", que significa "retirar a carne" ou "abstenção da carne". Em tempos de valores cristãos mais radicais, quando a Igreja ditava as normas da humanidade, a proibição de comer a carne era para valer e o carnaval marcava o último dia antes do jejum da Quaresma. Curiosidades à parte vale dizer que entre o sagrado e o profano iniciou-se este ano no sábado (14/02) o carnaval.
E o carnaval de Aracaju ainda acontece? Ressalvando o Rasgadinho (que aconteceu nos anos 1960, foi interrompido naquela década e retomou no início deste século o “acontece” é proposital porque já houve tempos de intenso carnaval nas ruas de Aracaju em calhambeques ou em cima de caminhões da extinta Transportadora Sergipana do “Seu Wilson” ou até mesmo os blocos de rua e até escolas de samba. Um excelente documentário “Sem Corda, Sem Abadá e Sem Vergonha” lançado em 2024 pela festeira e carnavalesca banca “Samba do Arnesto” (criadora do bloco “Vem ni min Arnesto”) conta muito bem a história do carnaval sergipano.
Inegavelmente o outrora “espírito momesco” ficou nos bloquinhos que antecedem ao carnaval. Não se pode negar que o carnaval aracajuano, em um modo bem típico das limitações de uma outrora cidade pequena, já foi pujante. Sim, Sergipe já teve até Rei Momo, o mais famoso era Altamiro, pai do aclamado artista plástico (já falecido) José Fernandes. Tinha carnavalescos como Zé Ressaca, Amauri, Genelício, Seu Oscar, Mané Dantas, Almir Garcez, Hilton Lopes, João Barreto Neto, Barrinhos, o Babalorixá Lê, para ficar nos que já morreram e que nem Inteligência Artificial não vai lembrar.
Havia o desfile de escolas de samba alguns repetindo nomes do carnaval carioca como Império do Morro, Império do Samba, Império Serrano, Acadêmicos do Samba, Brasil Moreno ou a famosa Tubarão da Praia. No quesito Blocos e Ranchos destacavam-se “As Italianinhas”, o “Bloco da Paz” – o melhor de todos – o “Bloco Rebu”, o “Bloco do Amigão”, o “Bloco Fera”, e o “Rekaída”.
Se nos anos 80 difundiu-se a ideia que Aracaju era a terra da tranquilidade buscando atrair turistas durante os dias do carnaval – o que não era verdade, havia carnaval sim, de um modo bem peculiar – hoje parece que sim. Nem mais o espírito criativo e arrebatador de jovens que nos anos 80 com dinheiro curto para viajar para os grandes centros criaram o bloco “Nóis Fica Mais Nóis Goza” e num linguajar quase Adoniram cantavam “Lá vem o bloco / Da Alegria / Da poesia e da Prosa / Gozar lá fora é como um coito interrompido / E como nóis semos sabidos / Aqui nóis fica, mais nóis goza”.
Ilustração: Articulistas em rede com foto enviada por Luiz Eduardo Oliva.
Obrigado por ter lido este artigo. Se gostou da leitura, por favor, dê um click no coraçãozinho que está do lado direito, um pouco mais abaixo. Valioso também é receber um comentário seu e isso pode ser feito descendo um pouco mais na rolagem da página e escrevendo no espaço Escreva um comentário. Temos fé no diálogo!










Comentários