Redes sociais tomam o Senado
- Tônia Lobão

- 1 de mai.
- 2 min de leitura
Atualizado: 4 de mai.

O presidente dos EUA, Donald Trump, vem expressando medo de que os democratas se tornem maioria nos parlamentos federais daquele país, nas eleições que ocorrerão em novembro próximo.
Enquanto isso, no Brasil – o que, para Trump, por ora, é apenas temor – já aconteceu em parte: o Senado Federal está conflagrado contra o governo do presidente Lula.
Se havia alguma dúvida sobre a insurreição que rangia dissimulada, com a reprovação do advogado Jorge Messias, indicado para o Supremo Tribunal Federal, não há mais segredos.
O senador por Sergipe, Alessandro Vieira (MDB), em uma fala curta e vexatória durante a sabatina do pleiteante, deixou nua a motivação das senadoras e senadores que votaram “não”.
Em nada a condução de Jorge Messias destoou do habitual – demonstrou Alessandro Vieira. Houve apenas uma diferença: pela primeira vez, prevaleceu o voto contra quem indicou o candidato.
Com isso, está deflagrado no Brasil, desde 29 de abril de 2026, o rascunho de um governo amotinado no Senado, paralelo e em batalha contra o Palácio do Planalto.
Alguns senadores chegaram à explicitude de declarar, em alto e bom som, que o preenchimento da vaga no STF só será feita pelo próximo presidente, ainda a ser eleito, e não pelo atual.
Temos, assim, vitrines das duas principais propostas que se digladiam pela condução da nação brasileira: uma postada no Poder Executivo e a outra no Poder Legislativo.
No Poder Executivo está o resultado de ideais e lutas travadas há mais de meio século. Um primeiro marco dessa longa caminhada ocorreu com a promulgação da Constituição de 1988.
Nas primeiras décadas deste século, porém, mais explicitamente desde 2013, eclodiu um enfrentamento massivo e de viés reacionário em relação ao rumo até então hegemônico.
Passaram-se exatos 30 anos desde o hasteamento daquela primeira bandeira, representativa de uma nova política, até que esses ideais viessem a ser despejados do poder central, em 2018.
Houve, quatro anos depois, em 2022, uma retomada das orientações anteriores, com a terceira e apertada eleição do presidente Lula para o Palácio do Planalto.
Uns denunciam, outros douram a pílula: a confrontação do ideário social-democrata no Brasil é fruto do advento das redes sociais – agora, amplamente influentes nos parlamentos.
As redes sociais desestabilizaram instituições nacionais em diversos pontos do globo; seria ingenuidade acreditar que o Brasil estaria imune. A nossa “primavera árabe” continua em curso.
Eis o teatro de batalha: de um lado, o turbilhão opaco das redes sociais; do outro, uma opinião pública forjada no diálogo com uma tradição política mais conceitual.
As vitrines expondo as tendências estão postas: no Palácio do Planalto, os manequins vestem longas conquistas políticas conceituais; já o Senado Federal tornou-se passarela das redes sociais.
Foto: Rodrigo Bittar / Câmara dos Deputados.
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