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A virada de Lula: das pesquisas às ruas

há 8 minutos
3 min de leitura
Articulistas em rede. Luiz Eduardo Oliva. A virada de Lula. Eleições 2026.

De todas as eleições para presidente da República desde a redemocratização com a Constituição de 1988 (a primeira ocorreu em 1989), esta foi atípica em um aspecto por demais propalado: a virada no segundo turno. Desde 1989, foram dez pleitos, sendo oito com disputas em segundo turno — já que, em 1994 e 1998, Fernando Henrique Cardoso ultrapassou os 50 % logo no primeiro turno. A disputa de 1989, inclusive, ocorreu sob a regra original da Carta de 1988, que previa um mandato de cinco anos sem direito a reeleição — modelo que foi alterado para quatro anos em 1994, por meio da Emenda Constitucional de Revisão nº 5.


Assim se comportou o eleitorado desde o restabelecimento do voto direto para o presidente da República: em 1989, foram para o segundo turno Fernando Collor e Lula, com vitória do primeiro nos dois rounds. Nas duas disputas seguintes, como dito, FHC venceu ambas em primeiro turno. Em 2002, Lula liderou a primeira fase e venceu José Serra no segundo turno com larga vantagem (61% dos votos contra 38%). Em 2006, reelegeu-se derrotando Geraldo Alckmin, hoje seu vice. Em 2010, Dilma Rousseff foi ao segundo turno e bateu Serra. Em 2014, ela venceu os dois turnos contra Aécio Neves. Em 2018, Jair Bolsonaro liderou e venceu no segundo turno contra Haddad. Em 2022, Jair perdeu para Lula em ambas as etapas. Finalmente, nas eleições deste ano, o candidato vitorioso no primeiro turno não levou o segundo: Flávio Bolsonaro, que fugiu do país sob a mais estapafúrdia das desculpas.


Um dado relevante: Lula concorreu a sete eleições e venceu quatro. Não disputou em 2010 porque a regra permite apenas uma reeleição consecutiva; em 2014, Dilma buscou a recondução e, em 2018, ele estava preso. Outro ponto a destacar é que nenhum governante tem a perspectiva de longevidade na função senão Lula, que caminha para o seu quarto mandato, perfazendo um total de 16 anos na Presidência — caso nenhuma intercorrência aconteça nos próximos quatro anos.


É fato que Getúlio Vargas governou o país por 18 anos e 6 meses. Há de se considerar, contudo, que desse total apenas o período entre 1951 e 1954 (interrompido por seu suicídio) foi um mandato conquistado pelo voto direto. De 1930 a 1945, Vargas alçou ao poder como Chefe da Revolução de 1930 (Governo Provisório), tornou-se presidente eleito de forma indireta pelo Congresso (1934) e, posteriormente, implantou o regime ditatorial do Estado Novo (1937 a 1945). Portanto, Lula é o único cidadão escolhido quatro vezes em eleições democraticamente diretas.


O que marca as eleições deste ano é a virada inédita no segundo turno e, de certa forma, a desmoralização das pesquisas. É fato que levantamentos eleitorais trabalham com probabilidades, mas sabe-se lá se todos seguem rigorosamente os critérios estatísticos, sem qualquer manipulação. Lula aparecia em primeiro lugar em praticamente todos os institutos na etapa inicial, mas as urnas o colocaram em segundo lugar. No segundo turno, as projeções apontavam a vitória de Flávio. No entanto, o próprio sucesso dele no primeiro turno foi o fator de sua derrocada no segundo: a arrogância, o salto alto por assim dizer, a soberba e o excesso de confiança.


A vitória de Lula no segundo turno foi fruto da grande mobilização das ruas e das redes sociais. Foi o triunfo do levante dos idosos, dos jovens e da resistência à perspectiva do fascismo, mas sobretudo das ruas que tingiram o país de vermelho. Esse desfecho ganhou dimensão internacional e, como bem definiu um deputado mexicano, o Isra Espíndola, o movimento real superou as previsões:


"A rua não tem algoritmo: tem memória, tem comunidade, tem liberdade, mas, acima de tudo, tem povo!"

Foto: Redes Sociais / Reprodução.

Luiz Eduardo Oliva - Advogado, poeta e escritor. Da Academia Sergipana de Letras Jurídicas.

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