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A ameaça bolsonarista à democracia: um alerta aos indecisos

há 24 minutos
3 min de leitura
Eleições 2026. Bolsonarismo. Luiz Eduardo Oliva. Articulistas em rede.

O Brasil encontra-se em uma encruzilhada decisiva: seguir o caminho democrático, consolidado pela Constituição de 1988, ou retroceder. Para quem se identifica com a direita, o dilema exige uma distinção fundamental: afinal, direita e bolsonarismo são a mesma coisa?


A resposta exige resgatar o significado clássico da direita republicana. A democracia pressupõe o pluralismo político, onde correntes opostas, como o campo progressista (esquerda) e o conservador (direita), convivem e disputam o poder respeitando as regras do jogo. A direita clássica fundamenta-se na racionalidade, na moderação e na preservação da democracia liberal. Seu nacionalismo e patriotismo expressam-se no respeito absoluto às instituições e à tripartição dos Poderes. Na economia, preza pela responsabilidade fiscal; nas relações exteriores, adota um pragmatismo focado nos interesses de Estado, e não de governos.


Seria inconcebível, em um regime democrático, que todos pensassem igual. Afinal, a sociedade é formada por grupos distintos, com interesses e valores variados, o que impede a imposição de um pensamento único. Grupos de direita e de esquerda têm o pleno direito de se organizar, disputar eleições e governar, desde que respeitem as regras do jogo democrático e os direitos fundamentais.


Mesmo sob o regime militar, houve próceres da direita cujo pensamento foi essencial para a transição política quando o próprio regime observou o avanço das lutas pelo restabelecimento da democracia, por anistia aos exilados, pela volta do voto direto e secreto para a escolha do presidente, após quase vinte anos de ditadura, com a campanha Diretas Já!


Naquilo que ficou conhecido como “estertores da ditadura”, os dois últimos presidentes militares, os generais Ernesto Geisel e João Batista, abraçaram a tese da abertura "lenta e gradual" e, naturalmente, contaram com o arcabouço teórico de intelectuais e ideólogos de direita como o coronel Jarbas Passarinho que foi Ministro da Educação e presidiu o Senado, os generais Golbery do Couto e Silva um dos teóricos da doutrina de segurança nacional, e Ruben Ludwig Ministro da Educação, os jurista Leitão de Abreu, os economistas Delfim Netto, Mario Henrique Simonsen e Roberto Campos além de acadêmicos como Eduardo Portella e Esther Ferraz, inegavelmente brilhantes na condução de seu pensamento, ainda que tivessem ampla oposição dos setores progressistas.


O bolsonarismo, por outro lado, distancia-se desse legado. Tem ojeriza à cultura, centra-se na mediocridade de pensamento, não dialoga com a universidade. Alinhado à extrema-direita contemporânea, o movimento sabota o pragmatismo tradicional ao subordinar a política externa brasileira ao trumpismo e a agendas partidárias estrangeiras, comprometendo a liturgia do Estado. Internamente, sua prática é marcada pelo constante tensionamento das instituições e do sistema eleitoral.


O avanço desse projeto populista e familiar é uma ameaça não apenas ao regime democrático, mas à própria existência de uma direita representativa e viável em convívio saudável com os setores progressistas. Diante de discursos que flertam com o endurecimento do regime e o isolamento internacional às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, o alerta cabe especialmente aos indecisos e aos defensores de uma direita responsável: o bolsonarismo não é evolução, é o caos do próprio setor e um previsível retrocesso.


Ilustração: Redes Sociais / Reprodução.

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