Do lado oposto ao que morávamos, na mesma praça, residia um casal, dona Aurinha e seu Edson. Eu a chamava de vó e neto dela eu me sentia. A ele eu chamava de tio. Assim era o casal para mim e pronto: vó Aurinha e tio Edson. O sangue que não corria nas veias fluía no afeto, e disso me bastava. Guardo na memória imagens congeladas, como fotografias, dos dois sentados na calçada da nossa casa, conversando e rindo, na companhia do meu pai, da minha mãe e de outras pessoas — aquel